Internauta se preocupa que eventual crise no mercado de imóveis aumente
os riscos de seu investimento em Letras de Crédito Imobiliário
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| Prédios em construção: LCI não é tão afetada pelo mercado imobiliário quanto pela saúde do banco emissor |
Dúvida do internauta: Comprei um lote de 50 mil
ações da LCI em janeiro de 2013. Fiz um plano com resgate de
rendimentos. O prazo total de investimento foi de 24 meses pela Caixa. Estou preocupado com uma possível
crise no mercado imobiliário, quero saber o quanto devo
me preocupar com os riscos, se é que há algum. Enfim, o que de fato quero
saber é se fiz um bom investimento. Tenho motivos para me preocupar? Se sim, o
que é aconselhável fazer nessas situações?
Resposta de Beto Veiga*:
Começando do princípio,
você não comprou “ações” da LCI. A Letra de Crédito Imobiliário, LCI, é um
título de crédito, isto é, quem o possui é credor (empresta o seu dinheiro) de
quem o emitiu (devedor), no caso em questão a Caixa Econômica Federal. Nesse
tipo de negócio, você está emprestando o dinheiro, e a Caixa vai pagar os juros
para utilizá-lo. Tanto assim, que você já acertou o resgate dos rendimentos
A LCI é, simplificando,
uma nota promissória que o devedor assina quando toma um empréstimo. Você está
na posição contrária e, portanto, a Caixa emitiu o título para lhe dar
garantia. No livro “Case com seu banco com separação de bens” eu desço mais em
detalhe sobre essa característica da LCI.
Acerca da crise no mercado
imobiliário, vamos tratar não dela, mas dos elementos de garantia da LCI. Este
título possui, digamos assim, três camadas de garantia: a primeira é o banco
(no caso da operação com a Caixa, entendo que é a melhor delas); a segunda é do
Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura o pagamento (desde que não
haja uma crise, ou que um banco desses grandes vá para o buraco e quebre o
fundo com ele) até o montante de 250 mil reais. Finalmente, há a garantia dos
empréstimos imobiliários realizados pelo banco que lhe deve.
Veja que há uma série de
salvaguardas que lhe tiram muitas preocupações, mas a que eu diria ser a mais
segura, é a emissora da Letra.
Quanto ao fato de ser ou
não um bom investimento, há uma questão complicada para lidar. Pense na seguinte
situação: se eu chegasse e lhe pedisse dinheiro emprestado e, sob seu ponto de
vista, fosse uma operação com boas garantias (como é a situação da sua LCI). O
que faltaria para fechar negócio comigo? Se a sua resposta foi “acertar os
juros”, parabéns. O que acontece, na prática, é que você não fez exatamente
isso com a Caixa, acredito eu. Não se “lembrou” dessa última parte. Não
negociou os juros, simplesmente aceitou aquilo que lhe foi dito.
Mas por que isso seria um
problema, então? Bastaria negociar os juros. O problema é que os grandes bancos
são tão grandes que eles não estão nem aí para negociar os juros, a menos que
você também seja grande. Não é por isso, todavia, que você não deve exigir o
máximo pelo seu dinheiro. Caso o banco se negue a oferecer uma remuneração
maior, só cabe tentar ver outras possibilidades com a concorrência, observando
sempre a qualidade da instituição, ou passando a aceitar como garantia as duas
últimas camadas, como mencionei.
*Beto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília,
ex-funcionário do Banco Central e consultor de valores mobiliários registrado
na CVM. É autor dos livros “O Essencial sobre o Tesouro Direto” , “Tudo sobre
CDB”, além do Blog "Beto Veiga - finanças desvendadas" e "Case
com seu banco com separação de bens".
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