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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Grandes bancos trocam crédito mais arriscado por consignado e imobiliário

Números do Itaú, Bradesco e Santander mostram alta das operações de crédito consignado e de financiamento imobiliário, em detrimento de segmentos como automóveis.
Josette Goulart - O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - As três maiores instituições financeiras privadas do País, donas de mais de 30% dos ativos totais do sistema, estão mais seletivas na concessão do crédito e registram crescimento em ritmo mais lento até agora do que em anos anteriores. As carteiras do Bradesco, Itaú Unibanco e Santander cresceram em média 6%, em nove meses até setembro, e 10,5% em doze meses.
Os bancos têm focado principalmente em linhas como as de crédito consignado, em que o trabalhador penhora seu salário, e imobiliário, em que os imóveis são dados em garantias.
Para as grandes empresas, o crédito continua sendo ofertado, mas pequenas e médias tiveram redução de linhas em alguns bancos. Esse movimento reflete o movimento dos bancos privados em manter o retorno a seus acionistas apesar da queda dos spreads (os ganhos com a diferença entre as taxas de juros e as efetivamente cobradas no empréstimo). Eles estão usando o tripé de crédito mais seletivo, redução da inadimplência e corte de despesas para manter lucratividade.
Juntas, as três instituições lucraram neste ano R$ 25 bilhões, segundo mostram os balanços até o terceiro trimestre. Enquanto Itaú e Bradesco tiveram lucros maiores, o banco Santander registrou uma queda de 9% em nove meses, mas está tentando se reestruturar e cortar fortemente as despesas desde que seu novo presidente, Jesús Zabalza, chegou ao Brasil em junho deste ano.
O banco espanhol teve forte pico de inadimplência no primeiro e segundo trimestres deste ano, mas conseguiu reduzi-la com um programa de renegociação, que dobrou sua carteira de recuperação de ativos. No ano, a queda é de 0,2 ponto, mas em alguns segmentos chegou a registrar queda de dois pontos em seis meses.
A maior queda de inadimplência (atrasos de 90 dias) do ano se deu no Itaú, com 0,9 ponto porcentual no ano. No Bradesco, a queda foi de 0,5 ponto.
Carros. Um ponto em comum entre as instituições foi a redução do financiamento de automóveis, depois de terem visto a inadimplência crescer há dois anos. No caso do Itaú, os empréstimos giravam em torno de R$ 2,5 bilhões a R$ 3 bilhões por mês e caíram para R$ 1 bilhão neste último trimestre.
Segundo o diretor de relações com investidores do banco, Rogério Calderon, a instituição, que antes financiava 100% dos automóveis, passou a financiar apenas 75%. "O cliente fica mais comprometido com o pagamento e esperamos voltar a crescer no segundo semestre de 2014", diz Calderon. Da mesma forma, o banco espera voltar a crescer no crédito para pequenas e médias, desde que baseadas em recebíveis.
O diretor do Bradesco, Luiz Carlos Angelotti, explica que a inadimplência teve uma forte alta no fim de 2011 em função da crise na Europa e de um cenário de crescimento menor da economia. Esse não é mais um cenário com que o banco trabalha até o próximo ano e por isso tem a expectativa de que a inadimplência continue controlada. De qualquer forma, não vê a retomada do crédito como nos anos anteriores, quando chegou a crescer mais de 20%.
A carteira de crédito de pequenas e médias empresas do Bradesco foi um dos destaques, com crescimento de 12% - mas puxado pelas médias.

Um “Raio X” do atual mercado de fundos imobiliários

Num contexto em que muitos fatores condicionam a evolução deste mercado, a Funds People foi saber a opinião de algumas gestoras de fundos imobiliários.
Os últimos dados APFIPP sobre fundos de investimento imobiliário em Portugal relativos a setembro dão conta de um crescimento de quase 5% no seu valor líquido face a agosto.
Mas como é que as gestoras de fundos imobiliários olham para o atual panorama deste mercado em Portugal? A Funds People falou com algumas entidades, que traçaram o atual cenário.
Num contexto de insolvência de empresas ou atrasos de pagamento de rendas, as entidades têm opiniões que convergem no que diz respeito à atual situação do imobiliário. “O ano de 2013 revela-se particularmente complexo, pois confluem factores contraditórios das diferentes forças presentes no mercado imobiliário”, diz Manuel Puerta da Costa, do Conselho de Administração da BPI Gestão de Activos, que acrescenta que “as dificuldades financeiras das empresas continuam a pressionar as condições de arrendamento como um todo”. Como consequência de um cenário de redução na atividade económica, Diogo Pinto Gonçalves, Administrador daSelecta – SGFII, SA, lembra que a “desocupação de escritórios, indústrias, infraestruturas logísticas e espaços comerciais leva a uma redução dos valores de mercado, afetando por isso a rentabilidade dos ativos”.
Um outro fator apontado como “causador” da desvalorização dos imóveis são os ajustes nas rendas. “Este reajuste, refletido em capitalização de rendas, tem, a curto prazo, um efeito de redução da rentabilidade do ativo mobiliário”, diz Diogo Pinto Gonçalves. Esta é uma ideia que Rui Alpalhão, Presidente da Comissão Executiva da Fundbox partilha, já que “a fragilidade das tesourarias dos inquilinos afeta o rendimento dos ativos imobiliários de rendimento, e por essa via reduz o respetivo valor”.
Novos fundos sinónimo de transferência de ativos bancários?
As difíceis condições de mercado que as entidades enunciam, levam-nas também a apontar uma escassez de novos produtos. “O mercado está estagnado não por falta de boas oportunidades de negócios, mas por falta de liquidez”, diz Pedro Coelho, Administrador da Square Asset Management – SGFII, SA. Ainda assim, será que os novos fundos lançados no mercado imobiliário refletem um processo de transferência de ativos não estratégicos dos balanços dos bancos? As opiniões dividem-se.  
Da BPI GA, a opinião é perentória: “não há processos de transferências de ativos imobiliários do banco para fundos de investimento criados para esse efeito, ou já existentes previamente”. Da Selecta, por outro lado, há uma visão contrária. A gestora que gere distintos fundos, com ativos imobiliários provenientes do mercado financeiro, explica que estas transferências “acontecem porque a carteira de ativos dos bancos aumentou e os bancos não têm vocação e disponibilidade para tratar os ativos imobiliários como devem ser tratados, fases de maior dificuldade do mercado”.  Diogo Pinto Gonçalves, acrescenta que “a experiência na gestão de ativos, de olhar para o seu best use e as suas soluções alternativas, são fundamentais para acelerar a sua rentabilização”.
Já Rui Alpalhão, da Fundbox, que acredita que “os bancos têm privilegiado a venda de ativos a veículos subscritos em club deals, o que não potencia particularmente a colocação de produtos no mercado”.

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