Números do Itaú, Bradesco e
Santander mostram alta das operações de crédito consignado e de financiamento
imobiliário, em detrimento de segmentos como automóveis.
Josette Goulart - O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - As três maiores instituições
financeiras privadas do País, donas de mais de 30% dos ativos totais do
sistema, estão mais seletivas na concessão do crédito e registram crescimento
em ritmo mais lento até agora do que em anos anteriores. As carteiras do Bradesco, Itaú Unibanco e Santander cresceram
em média 6%, em nove meses até setembro, e 10,5% em doze meses.
Os bancos têm focado principalmente em
linhas como as de crédito consignado, em que o trabalhador penhora seu salário,
e imobiliário, em que os imóveis são dados em garantias.
Para as grandes empresas, o crédito
continua sendo ofertado, mas pequenas e médias tiveram redução de linhas em
alguns bancos. Esse movimento reflete o movimento dos bancos privados em manter
o retorno a seus acionistas apesar da queda dos spreads (os ganhos com a
diferença entre as taxas de juros e as efetivamente cobradas no empréstimo).
Eles estão usando o tripé de crédito mais seletivo, redução da inadimplência e
corte de despesas para manter lucratividade.
Juntas, as três instituições lucraram
neste ano R$ 25 bilhões, segundo mostram os balanços até o terceiro trimestre.
Enquanto Itaú e Bradesco tiveram lucros maiores, o banco Santander registrou
uma queda de 9% em nove meses, mas está tentando se reestruturar e cortar
fortemente as despesas desde que seu novo presidente, Jesús Zabalza, chegou ao
Brasil em junho deste ano.
O banco espanhol teve forte pico de
inadimplência no primeiro e segundo trimestres deste ano, mas conseguiu
reduzi-la com um programa de renegociação, que dobrou sua carteira de recuperação
de ativos. No ano, a queda é de 0,2 ponto, mas em alguns segmentos chegou a
registrar queda de dois pontos em seis meses.
A maior queda de inadimplência
(atrasos de 90 dias) do ano se deu no Itaú, com 0,9 ponto porcentual no ano. No
Bradesco, a queda foi de 0,5 ponto.
Carros. Um ponto em comum entre as
instituições foi a redução do financiamento de automóveis, depois de terem
visto a inadimplência crescer há dois anos. No caso do Itaú, os empréstimos
giravam em torno de R$ 2,5 bilhões a R$ 3 bilhões por mês e caíram para R$ 1
bilhão neste último trimestre.
Segundo o diretor de relações com
investidores do banco, Rogério Calderon, a instituição, que antes financiava
100% dos automóveis, passou a financiar apenas 75%. "O cliente fica mais
comprometido com o pagamento e esperamos voltar a crescer no segundo semestre
de 2014", diz Calderon. Da mesma forma, o banco espera voltar a crescer no
crédito para pequenas e médias, desde que baseadas em recebíveis.
O diretor do Bradesco, Luiz Carlos
Angelotti, explica que a inadimplência teve uma forte alta no fim de 2011 em
função da crise na Europa e de um cenário de crescimento menor da economia.
Esse não é mais um cenário com que o banco trabalha até o próximo ano e por
isso tem a expectativa de que a inadimplência continue controlada. De qualquer
forma, não vê a retomada do crédito como nos anos anteriores, quando chegou a
crescer mais de 20%.
A carteira de crédito de pequenas e
médias empresas do Bradesco foi um dos destaques, com crescimento de 12% - mas
puxado pelas médias.
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