Num contexto em que muitos fatores condicionam a
evolução deste mercado, a Funds People foi saber a opinião de algumas gestoras
de fundos imobiliários.
Os últimos dados APFIPP sobre fundos
de investimento imobiliário em Portugal relativos a setembro dão conta de
um crescimento de quase 5% no seu valor líquido face a agosto.
Mas como é que as gestoras de fundos
imobiliários olham para o atual panorama deste mercado em Portugal? A Funds
People falou com algumas entidades, que traçaram o atual cenário.
Num contexto de insolvência de
empresas ou atrasos de pagamento de rendas, as entidades têm opiniões que
convergem no que diz respeito à atual situação do imobiliário.
“O ano de 2013 revela-se particularmente complexo, pois confluem factores
contraditórios das diferentes forças presentes no mercado imobiliário”, diz
Manuel Puerta da Costa, do Conselho de Administração da BPI Gestão de Activos, que acrescenta que “as dificuldades financeiras das empresas continuam a
pressionar as condições de arrendamento como um todo”. Como
consequência de um cenário de redução na atividade económica, Diogo Pinto
Gonçalves, Administrador daSelecta
– SGFII, SA, lembra
que a “desocupação de
escritórios, indústrias, infraestruturas logísticas e espaços comerciais leva a
uma redução dos valores de mercado, afetando por isso a
rentabilidade dos ativos”.
Um outro fator apontado como
“causador” da desvalorização dos imóveis são os ajustes nas rendas. “Este
reajuste, refletido em capitalização de rendas, tem, a curto prazo, um efeito
de redução da rentabilidade do ativo mobiliário”, diz Diogo Pinto Gonçalves.
Esta é uma ideia que Rui Alpalhão, Presidente da Comissão Executiva da Fundbox partilha, já que “a fragilidade das tesourarias dos inquilinos
afeta o rendimento dos ativos imobiliários de rendimento, e por essa via reduz
o respetivo valor”.
Novos fundos sinónimo de transferência
de ativos bancários?
As difíceis condições de mercado que
as entidades enunciam, levam-nas também a apontar uma escassez de novos
produtos. “O mercado
está estagnado não por falta de boas oportunidades de negócios,
mas por falta de liquidez”, diz Pedro Coelho, Administrador da Square Asset
Management – SGFII, SA. Ainda assim, será que os novos fundos lançados no
mercado imobiliário refletem um processo de transferência de ativos não
estratégicos dos
balanços dos bancos? As opiniões dividem-se.
Da BPI GA, a opinião é perentória: “não há processos de transferências de
ativos imobiliários do banco para fundos de investimento criados
para esse efeito, ou já existentes previamente”. Da Selecta,
por outro lado, há uma visão contrária. A gestora que gere distintos fundos,
com ativos imobiliários provenientes do mercado financeiro, explica que estas transferências “acontecem porque
a carteira de ativos dos bancos aumentou e os bancos não têm vocação e
disponibilidade para tratar os ativos imobiliários como devem ser tratados, fases
de maior dificuldade do mercado”. Diogo Pinto Gonçalves, acrescenta que
“a experiência na gestão de ativos, de olhar para o seu best use e
as suas soluções alternativas, são fundamentais para acelerar a sua
rentabilização”.
Já Rui Alpalhão, da Fundbox, que
acredita que “os bancos têm privilegiado a venda de ativos a veículos
subscritos em club deals, o que não potencia particularmente a
colocação de produtos no mercado”.
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