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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

BC compra dólar em leilão à vista com taxa de corte de R$ 1,7079

Por Silvana Rocha, da Agência Estado, estadao.com. br,
O Banco Central fez um leilão de compra de dólar à vista - o primeiro desta segunda-feira - e fixou a taxa de corte em R$ 1,7079. Quando o BC 'chamou' o leilão, o dólar à vista estava em leve alta de 0,06%, a R$ 1,7070 no balcão - preço que se mantinha há instantes. No mercado futuro, o dólar março 2012 estava em queda de 0,18%, a R$ 1,7080 quando o leilão foi anunciado e, há instantes, reduzia as perdas para 0,09%, a R$ 1,7095.

Na sexta-feira, o dólar fechou em queda ante o real, mesmo após o Banco Central voltar a comprar moeda duas vezes no mercado. A divisa norte-americana caiu 0,29%, para R$ 1,7060.

A desvalorização da moeda norte-americana, que na mínima chegou a R$ 1,7020 nesta sexta-feira, chamou o BC ao mercado. A autoridade monetária realizou dois leilões de compra de dólares no mercado à vista praticamente seguidos um do outro, que ajudaram a afastar a cotação do nível de R$ 1,70, considerado pelo BC como um 'piso informal', segundo o mercado. As taxas de corte definidas foram R$ 1,7059 e R$ 1,7057.

'A linha da 'guerra cambial' parece estar traçada no nível de R$ 1,70 no mercado à vista. 'Não vemos nenhuma clara operação de curto prazo nesses níveis, mas o mercado pode continuar testando o Banco Central e buscaremos uma chance de ficarmos comprados em dólar se isso acontecer', afirmou a equipe de estrategistas do Nomura Securities em e-mail a clientes.

Na véspera, a autoridade monetária também havia feito uma intervenção dupla no mercado, comprando dólares nos mercados futuro e à vista. O BC voltou a atuar no mercado no início deste mês, lançando mão ainda de operações no segmento a termo.

Apesar da ofensiva da autoridade monetária, alguns especialistas entendem que o BC está apenas enxugando uma sobra de recursos no mercado. 'Nada demais. Até porque se ele tivesse atuado forte, o dólar teria passado a subir', afirmou o operador de uma corretora paulista, que pediu anonimato.

Para o gerente de câmbio de um banco nacional, o BC tem comprado dólares para conter o aumento da volatilidade do mercado e considera a manutenção dessa estratégia enquanto os fluxos de recursos continuarem mirando o Brasil.

'Tem todo um cenário favorável a essas entradas no Brasil. O BC vai continuar comprando, embora eu ache que essas operações apenas limitem uma apreciação do real', afirmou, também pedindo anonimato.

Segundo ele, caso o dólar mantenha a atual trajetória de queda, crescem as chances de o governo adotar medidas no âmbito tributário, como o fez no ano passado com os derivativos cambiais.

O Brasil tem recebido fortes fluxos de dólares por causa das boas perspectivas econômicas. Só em fevereiro, até o dia 17, o fluxo cambial estava positivo em US$ 6,520 bilhões, segundo dados do próprio BC.



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