Quatro das principais empresas estão com um estoque
de 25 mil unidades; velocidade de venda cai.
Os imóveis não vendidos pelas quatro das maiores construtoras
brasileiras contabilizam R$ 14,6 bilhões, um estoque de 25 mil unidades em todo
o país, conforme levantamento feito pela Associação Brasileira dos Mutuários da
Habitação (ABMH). O estudo foi baseado nos balanços da MRV Engenharia, Cyrela,
Direcional e Gafisa. Mesmo assim, as empresas afirmaram que lançarão novos
empreendimentos em 2014.
De acordo com a entidade,
atualmente, mais da metade dos apartamentos não encontram compradores nos
primeiros seis meses, após o lançamento. Situação bem diferente na comparação
com os anos de auge, quando o empreendimento tinha todas as unidades vendidas
na primeira semana.
O presidente da ABMH, Leandro Pacifico, disse acreditar num
estouro da bolha imobiliária, rumores que aumentam à medida que empresas do
setor divulgam seus resultados financeiros, além do fato de a economia
brasileira estar apresentando resultados fracos. “Os preços ainda estão altos e
o brasileiro não tem renda para comprar. O curioso é que as empresas vão lançar
mais imóveis, mesmo com um estoque considerável. Uma das razões para isso é
manter o planejamento feito nos últimos anos ou pode ter reação na Bolsa, já
que estas empresas têm que mostrar que continuam expandindo seus negócios, pois
têm que manter os investidores”, analisa.
Pacífico ressalta que se a bolha estourar, deve acontecer nos
moldes do que foi verificado na Espanha. “Nos Estados Unidos, a situação foi
bem diferente. Afinal, lá é possível hipotecar um imóvel várias vezes. Aqui, a
Caixa Econômica Federal, que cuida de boa parte dos financiamentos, é bem
rigorosa na hora de conceder um empréstimo. No Brasil, é complicado financiar
dois imóveis”, explica.
Para ele, um dos sinais negativos de uma crise é a redução das
vendas. “Como as pessoas não têm renda suficiente, não compram”, diz. Num outro
momento, quem já comprou não consegue honrar o pagamento e perde o imóvel.
A Fundação Ipead verificou queda na velocidade de vendas em Belo
Horizonte. No mês de fevereiro do ano passado, a velocidade de venda era
22,92%, já em janeiro de 2014, a velocidade de venda chegou em 8,23%. Diante
dessa queda, os dados do Ipead informaram que em janeiro de 2014, o número de
imóveis vendidos foi de 188 unidades, diante da oferta de 2.284. Pacífico ressalta
que 70% das obras no país estão atrasadas.
Momento é ruim para comprar
O momento não é favorável para quem quer comprar imóveis, a não ser que haja uma boa oportunidade. É a recomendação de especialistas. “Quem puder, deve esperar e comprar em 2015”, diz o coordenador do curso de Ciências Econômicas da Newton Paiva, Leonardo Bastos Ávila.
O presidente da ABMH, Leandro Pacifico, afirma que neste ano não haverá “estouro de preço”. “Não há mais espaço para aumentos”, diz.
Ávila, que disse não acreditar em estouro da bolha imobiliária, afirma que está verificando queda nos preços, já que a demanda está retraindo. “Eu mesmo acabei de comprar um imóvel”, diz. (JG)
O momento não é favorável para quem quer comprar imóveis, a não ser que haja uma boa oportunidade. É a recomendação de especialistas. “Quem puder, deve esperar e comprar em 2015”, diz o coordenador do curso de Ciências Econômicas da Newton Paiva, Leonardo Bastos Ávila.
O presidente da ABMH, Leandro Pacifico, afirma que neste ano não haverá “estouro de preço”. “Não há mais espaço para aumentos”, diz.
Ávila, que disse não acreditar em estouro da bolha imobiliária, afirma que está verificando queda nos preços, já que a demanda está retraindo. “Eu mesmo acabei de comprar um imóvel”, diz. (JG)
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