Erica Martin
Do Diário do Grande ABC
Do Diário do Grande ABC
A Caixa Econômica Federal anunciou a redução de até 21% da taxa de
juros do crédito imobiliário. No entanto, as mudanças só começarão a valer para
contratos assinados a partir do dia 4, quando começa o 8° Feirão Caixa da Casa
Própria.
Para os interessados em financiar um imóvel, no
valor de até R$ 500 mil, por meio do SFH (Sistema Financeiro Habitacional), os
juros vão cair de 10% para 9% ao ano, neste caso, a mudança é válida para todos
os clientes do banco, independentemente do tempo e do grau de relacionamento
com a instituição. Mas se o contratante já se relacionar com a instituição -
tiver, por exemplo, conta-corrente, poupança, investimentos, cartão de crédito e cheque especial - além da conta-salário, a taxa
cairá para 7,9% ao ano.
A partir do dia 4, o consumidor que transferir a
dívida imobiliária para a Caixa também será beneficiado pelas mudanças.
Entretanto, os clientes da instituição que assinarem o contrato habitacional
antes da data (ou que já estão pagando pelo financiamento) não irão usufruir das quedas
nos juros.
FGTS - Se o mutuário financiar o imóvel no valor limite
de R$ 170 mil, dentro das regras do FGTS e, além do relacionamento com a Caixa,
receber o salário pelo banco, a taxa será reduzida de 8,4% para 7,9% ao ano.
Para o consumidor que ainda tiver cotas de FGTS, o custo dos juros cairá para
7,4% ao ano.
Neste caso também estão inclusos os financiamentos
enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida, na faixa de renda acima de R$
3.100.
Para imóveis que custam acima de R$ 500 mil, as
taxas vão baixar de 11% ao ano para 10%. Se tiver relacionamento e
conta-salário, os juros anuais serão de 9%. "De qualquer forma, a taxa de
juros para a compra do imóvel ainda é cara, a mudança pode estimular o consumo,
mas o brasileiro continuará pagando, pelo menos, duas vezes o valor da casa que
comprou, quando terminar de quitar a dívida", comentou o educador
financeiro da Dsop, Reinaldo Domingos.
Apesar da boa notícia, os consumidores serão
impulsionados, cada vez mais, a usar os empréstimos bancários para comprar, o
que, para Reinaldo, não estimula a educação financeira. "Em vez de ajudar
a readequar a vida financeira do consumidor, para que ele possa guardar o
próprio dinheiro, a queda dos juros incentiva o aumento do endividamento. Ele
sabe que pode comprar a prazo com juros baixos e não se educa para pagar à
vista", comentou.
De acordo com o professor de Finanças da FGV
(Fundação Getulio Vargas) Samy Dana, o consumidor deve continuar atento não só
aos juros, mas às outras taxas inclusas no trâmite do empréstimo. "Têm
muitos bancos que cobram altas taxas do seguro obrigatório do imóvel. Além de
um valor para abertura de crédito, por exemplo. Na prática a taxa que era para
ser de 9% ao ano sobe para 10% ou 11%", explicou.
Ele também lembrou que é importante analisar com
cuidado as cláusulas do contrato, principalmente para dívidas de longo prazo -
entre 20 e 30 anos. A maioria dos contratos, de acordo com Dana, não permite a
mudança de taxa de juros caso haja redução no futuro. "Portanto, se a taxa
cair para 6% ao ano, o banco não vai voltar atrás", explicou o professor.
Segundo ele, o ideal é negociar com o banco a inclusão de uma cláusula que
permita a negociação dos juros no futuro.
FEIRÃO - Em São Paulo, o 8° Feirão Caixa da Casa Própria
será entre os dias 18 e 20, no Centro de Exposições Imigrantes. Serão mais de
430 mil imóveis novos, usados e na planta que estarão em negociação.
São 760 construtoras, 400 imobiliárias e 460
correspondentes da instituição.
A última edição do evento registrou mais de 450 mil
visitantes e a movimentação financeira foi superior a R$ 10 bilhões, em
negócios assinados e encaminhados.
Quem quiser simular os custos e as parcelas do
imóvel que pretende comprar poderá acessar o simulador habitacional na internet
no endereço www.caixa.gov.br
Fonte: http://www.dgabc.com.br/News/5954377/caixa-reduz-juros-imobiliarios-em-ate-21.aspx -
29/04/2012.
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