Há 20 anos, o mercado era o principal centro comercial para os moradores da Estância, do Ipsep, da Vila Cardeal e de Jardim São Paulo; depois que o teto caiu, há 6 anos, o lugar sofre com o abandono
Da Redação do pe360graus.com
O Mercado de Areias foi construído em 1959. Há cinco anos, o teto desabou. Sem reforma, o local hoje é cenário de sujeira e vandalismo. Da avenida José Rufino, dá para ver a imagem do que restou: um mercado sem teto. Dos 230 comerciantes, apenas 30 continuam trabalhando lá. As vendas agora só acontecem na calçada.
As mãos de dona Maria de Siqueira Mendonça preparam tempero há 34 anos. Ela é uma das vendedoras mais antigas do Mercado de Areias. “Perdi muitos clientes, porque não tem espaço. Os clientes correram, foram para outros lugares. E estamos perdendo muito com isso, cada dia mais”, lamenta.
Há 20 anos, o mercado era o principal centro comercial para os moradores da Estância, do Ipsep, da Vila Cardeal e de Jardim São Paulo. Daquela época, eles guardam apenas saudade. Os produtos, o movimento, as histórias desapareceram. “Isso aqui era lotado de compradores, porque era um bom lugar para comprar. Acho que 80% das pessoas sumiram depois que o teto desabou”, conta o corretor de imóveis Roberto Guedes.
O mercado ficou assim depois que o teto desabou, em junho de 2006. Hoje, o Mercado de Areias parece um cemitério: corredores vazios e uma história apagada pelo tempo e destruída pelo descaso. “A gente procura as coisas e não encontra mais. Tá difícil, tudo arrebentado, não tem condições”, diz a dona de casa Airma Alves.
Depois que foi interditado, o mercado começou a ser invadido por pessoas que se escondem lá à noite. No dia em que foi feita a reportagem, os comerciantes contaram que uma pessoa colocou fogo num box.
Dentro do mercado, apenas dona Dacy Oliveira vende almoço, mas não sabe até quando. A comerciante disse que perdeu tudo há cinco anos e agora tem que alugar um espaço para conseguir sustentar a família. “Infelizmente, tem gente que pensa que não está nem funcionando. Antes eu vendia uns 60 almoços por dia. Hoje, eu vendo numa faixa de 30 almoços”, conta.
Os vendedores disseram que o Mercado de Areias é uma área privada. No ano passado, a Prefeitura do Recife teria dito a eles que ia comprar o mercado para transformar em um novo centro comercial. Eles estão esperando que o projeto saia do papel, mas estão sem paciência. “A prefeitura desapropriou, ficou de resolver e até agora nada. Nem sequer vem gente aqui para dar uma informação”, diz o comerciante Roberto Bernardino.
RESPOSTA DA PREFEITURA
No ano passado, o mercado foi decretado como de utilidade pública. Mas, segundo secretário de Serviços Públicos do Recife, Eduardo Vital, a desapropriação só deve ser feita após um levantamento sobre os débitos que o imóvel – que é privado – tem com a prefeitura. O secretário marcou no calendário o dia 10 de outubro para que o mercado esteja pronto para ser utilizado pela população de Areias.
“É preciso destacar que o imóvel é de natureza privada. A prefeitura não tem pode intervir sobre ele no momento. Nós estamos procedendo, nesse momento, através da Secretaria de Finanças, um levantamento sobre os débitos que esse imóvel tem com a prefeitura. Em 60 dias, vamos concluir o levantamento dos débitos. Com esses dados disponíveis, nós teremos elementos para submeter o prefeito na decisão de desapropriar o imóvel”, afirma o secretário.
VIGILÂNCIA SANITÁRIA
A Vigilância Sanitária informou que, ainda nesta terça-feira (09), irá encaminhar uma equipe de inspetores até o Mercado de Areias para avaliar a situação e tomar as providências. Se confirmadas as irregularidades, poderá ser aberto processo administrativo-sanitário contra os responsáveis. A multa varia entre R$ 400 e R$ 40 mil reais.
A Vigilância Sanitária orienta a quem encontrar irregularidades do tipo a denunciar o problema para a ouvidoria municipal da saúde pelo telefone 0800.281.1520. O serviço funciona de segunda a sexta, das 7h às 19h, sem intervalo para almoço.
MANDE SUA SUGESTÃO
Essa reportagem foi sugerida pelo telespectador José dos Santos Rocha Filho. Você também pode mandar a sua sugestão, é só utilizar o espaço "Comentários", abaixo deste texto.
As mãos de dona Maria de Siqueira Mendonça preparam tempero há 34 anos. Ela é uma das vendedoras mais antigas do Mercado de Areias. “Perdi muitos clientes, porque não tem espaço. Os clientes correram, foram para outros lugares. E estamos perdendo muito com isso, cada dia mais”, lamenta.
Há 20 anos, o mercado era o principal centro comercial para os moradores da Estância, do Ipsep, da Vila Cardeal e de Jardim São Paulo. Daquela época, eles guardam apenas saudade. Os produtos, o movimento, as histórias desapareceram. “Isso aqui era lotado de compradores, porque era um bom lugar para comprar. Acho que 80% das pessoas sumiram depois que o teto desabou”, conta o corretor de imóveis Roberto Guedes.
O mercado ficou assim depois que o teto desabou, em junho de 2006. Hoje, o Mercado de Areias parece um cemitério: corredores vazios e uma história apagada pelo tempo e destruída pelo descaso. “A gente procura as coisas e não encontra mais. Tá difícil, tudo arrebentado, não tem condições”, diz a dona de casa Airma Alves.
Depois que foi interditado, o mercado começou a ser invadido por pessoas que se escondem lá à noite. No dia em que foi feita a reportagem, os comerciantes contaram que uma pessoa colocou fogo num box.
Dentro do mercado, apenas dona Dacy Oliveira vende almoço, mas não sabe até quando. A comerciante disse que perdeu tudo há cinco anos e agora tem que alugar um espaço para conseguir sustentar a família. “Infelizmente, tem gente que pensa que não está nem funcionando. Antes eu vendia uns 60 almoços por dia. Hoje, eu vendo numa faixa de 30 almoços”, conta.
Os vendedores disseram que o Mercado de Areias é uma área privada. No ano passado, a Prefeitura do Recife teria dito a eles que ia comprar o mercado para transformar em um novo centro comercial. Eles estão esperando que o projeto saia do papel, mas estão sem paciência. “A prefeitura desapropriou, ficou de resolver e até agora nada. Nem sequer vem gente aqui para dar uma informação”, diz o comerciante Roberto Bernardino.
RESPOSTA DA PREFEITURA
No ano passado, o mercado foi decretado como de utilidade pública. Mas, segundo secretário de Serviços Públicos do Recife, Eduardo Vital, a desapropriação só deve ser feita após um levantamento sobre os débitos que o imóvel – que é privado – tem com a prefeitura. O secretário marcou no calendário o dia 10 de outubro para que o mercado esteja pronto para ser utilizado pela população de Areias.
“É preciso destacar que o imóvel é de natureza privada. A prefeitura não tem pode intervir sobre ele no momento. Nós estamos procedendo, nesse momento, através da Secretaria de Finanças, um levantamento sobre os débitos que esse imóvel tem com a prefeitura. Em 60 dias, vamos concluir o levantamento dos débitos. Com esses dados disponíveis, nós teremos elementos para submeter o prefeito na decisão de desapropriar o imóvel”, afirma o secretário.
VIGILÂNCIA SANITÁRIA
A Vigilância Sanitária informou que, ainda nesta terça-feira (09), irá encaminhar uma equipe de inspetores até o Mercado de Areias para avaliar a situação e tomar as providências. Se confirmadas as irregularidades, poderá ser aberto processo administrativo-sanitário contra os responsáveis. A multa varia entre R$ 400 e R$ 40 mil reais.
A Vigilância Sanitária orienta a quem encontrar irregularidades do tipo a denunciar o problema para a ouvidoria municipal da saúde pelo telefone 0800.281.1520. O serviço funciona de segunda a sexta, das 7h às 19h, sem intervalo para almoço.
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