Enviado por Ricardo França 10/8/2011 02:26:09
Pegando carona no desenvolvimento, o engenheiro Cláudio Passos decidiu investir na construção de casas em Itaboraí.
Há cerca de dois anos, o engenheiro civil Cláudio Passos Brugger de Mello, 44, assistia televisão em seu apartamento, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, quando viu uma propaganda sobre lotes à venda em um condomínio em Itaboraí, a ‘cidade do petróleo’. De imediato, entrou na internet e iniciou uma pesquisa sobre as oportunidades de negócios que nasciam a reboque do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro. No dia seguinte, Cláudio visitou os canteiros de obras do novo ‘Eldorado’ fluminense e retornou com uma certeza: ‘Construir casas em Itaboraí é um negócio da China’. No mês passado, depois de cinco casas construídas e uma em construção – todas vendidas por R$ 180 mil – no Condomínio São Francisco V, na BR-493 (Manilha-Magé), o empresário já pensa em iniciar novos empreendimentos.
“Levo cinco meses para levantar uma casa de três quartos. Acabando essa irei construir mais. O problema é que, agora, os lotes estão mais caros. Na época comprei cada um por R$ 28 mil. Hoje, um terreno de 200 metros quadrados custa R$ 48 mil”, explica Cláudio, que emprega 10 operários, entre pedreiros, serventes e carpinteiros.
A descoberta do engenheiro da Barra da Tijuca já fora feita pelas grandes construtoras, que transformaram o município em um gigantesco canteiro de obras. Só nos últimos 12 meses, cerca de seis mil unidades – entre apartamentos, casas e salas comerciais – foram vendidas no município. A Patrimóvel, em Itaboraí, subsidiária da Brasil Broker, que chegou à cidade em outubro de 2010, até este mês já faturou mais de R$ 200 milhões, com o lançamento de 21 empreendimentos (comerciais, residenciais e flats). Somente no primeiro semestre desde ano foram vendidos R$ 125,5 milhões, num total de 793 unidades.
No próximo dia 25, a Patrimóvel vai lançar o Interprise. Com previsão de R$ 250 milhões de vendas futuras, será construído em um terreno de 15 mil metros quadrados, composto de cinco produtos: um mall (61 lojas), duas torres de officces (519 salas), uma torre corporate (20 espaços corporativos), uma torre de suítes hoteleiras (220 flats) e duas torres residenciais (78 unidades cada uma). O empreendimento é da PDG, maior empreendedora do país e será comercializado pela Brasil Broker.
Segundo o diretor comercial da Patrimóvel, Bruno Serpa Pinto, Itaboraí é o maior índice de liquidez da empresa no estado. “A cidade tem perspectivas de comportar 700 empresas e mais de um milhão de habitantes num prazo de 10 anos. O nosso planejamento é atender a demanda que está acontecendo na cidade, que tem uma ótima rentabilidade. O mercado está crescendo e temos clientes de todas as regiões do Rio de Janeiro, de Brasília e do Espírito Santo, por exemplo, comprando em Itaboraí. É um ótimo negócio investir na cidade”, destaca Bruno.
A Rossi foi uma das primeiras grandes construtoras a apostar na região. Seu maior lance foi a compra de um gigantesco terreno, de 1.200.000 metros quadrados, do tamanho de um bairro de porte médio, localizado próximo à Avenida 22 de Maio, a principal da cidade. Nele, a construtora planeja construir seis mil unidades de diferentes tipos de empreendimentos, com prédios adequados ao programa Minha Casa, Minha Vida, convencionais e comerciais e até um shopping. O lançamento está previsto para o ano que vem. Os apartamentos têm, em média, de dois a três quartos, com suíte, banheiro social, salas de estar, de jantar e varanda, com uma área de 54 a 63 metros quadrados. Os preços variam entre R$ 180 mil e R$ 240 mil.
‘Boom’ provoca especulação imobiliária
O ‘boom’ imobiliário estimula a especulação. Comprar imóveis hoje em Itaboraí é visto pelos investidores como uma oportunidade de ganhar muito em pouco tempo. “A maioria dos meus clientes, cerca de 70%, não são de Itaboraí. São de outros estados e até do exterior. Eles compram pensando em vender daqui a três anos por 50% a mais, quando o Comperj estiver funcionando”, conta o corretor de imóveis Almir Rocha, que já vendeu apartamentos para compradores de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e até para um brasileiro que trabalha e mora nos Estados Unidos. “Ele comprou um apartamento e uma sala comercial, mas já tive clientes que compraram dez apartamentos de uma vez”, revela. A lei da oferta e da procura é implacável e tem consequências. Segundo a corretora de imóveis Rúbia Brasil, que trabalha há 14 anos no ramo imobiliário em Itaboraí, casas de dois quartos, que há três anos valiam R$ 50 mil, hoje não saem por menos de R$ 300 mil. “Hoje, em Itaboraí, nós não conseguimos atender a demanda”, afirma.
Recentemente, foi espalhado em Itaboraí um boato de que o Centro Esportivo Vera Gol Esporte e Lazer teria sido vendido por cerca de R$ 40 milhões para dar lugar a um condomínio de apartamentos populares. A direção do clube usou de criatividade: fez um outdoor para avisar à população que o Vera Gol não estava à venda. Um dos sócios do clube, o ex-goleiro do Vasco Marcio Cazorla, admitiu, no entanto, que houve uma oferta de compra por parte de uma construtora. “O salão de festas do clube tem eventos marcados até dezembro deste ano e várias pessoas me ligaram perguntando se o novo dono iria manter as datas. Daí surgiu a ideia de fazer o outdoor, mas desmentir o boato de que o Vera Gol fora vendido”, explicou Marcio, sem revelar o valor da proposta feita e nem o nome do grupo que se interessou pela compra do espaço. Hoje, no centro esportivo funciona uma escolinha de futebol com 200 alunos, salões de festas e um kartódromo. Apesar de não afirmar os valores, a proposta feita ao Vera Gol, localizado em área nobre, na Avenida 22 de Maio, pode ter chegado perto de R$ 40 milhões.
A comerciante Jaqueline Caade Oliveira, 39, dona de uma padaria e de um restaurante no bairro Novo Amanhecer, é outra vítima da especulação. “Os preços dos apartamentos estão altos, mas é a regra do mercado hoje na cidade. Quero comprar um apartamento para o meu filho e a média é de R$ 240 mil, com dois quartos. Mas fazer o quê?”, lamenta. “Em Sambaetiba, perto do Comperj, os imóveis e terrenos valorizaram mais de mil por cento. Nessa região, o cartório registrou um aumento de mais de 100% no volume de compra e venda de imóveis”, conta o tabelião José Carlos Soares Martins, do 1º Cartório de Ofício do município.
No fechamento da compra, o proprietário paga R$ 1.600 para registrar e fazer a escritura do imóvel nos cartórios da cidade. É nessa hora que entra uma fatia do bolo nos cofres da Prefeitura de Itaboraí, com o pagamento do Imposto Sobre Transação de Bens e Imóveis (ITBI). “Em 2010 foram arrecadados R$ 5 milhões de ITBI. Mas só nos primeiros seis meses deste ano, entraram nos cofres do município R$ 8,5 milhões do imposto, cerca de 70% a mais”, comemora o secretário de Fazenda e Planejamento, José Fernando Soares. Mas o desenvolvimento desenfreado também tem o seu revés. “Só no primeiro semestre, a Prefeitura retirou das ruas 15 toneladas de entulho oriundo de canteiros de obras. No mesmo período, tivemos que fazer mais nove quilômetros de redes de esgoto. Em todo ano de 2010 foram dez quilômetros”, acrescenta o secretário de Obras interino, Márcio Chaves.
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Fonte: http://www.osaogoncalo.com.br/site/geral/2011/8/8/29690/uma+cidade+em+constru%C3%A7%C3%A3o – 10/08/2011 – 20hs21min.
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