Noticiário cotidiano - Portos e Logística
Os reflexos da onda de
exploração do pré-sal começam a chegar às cidades da Baixada Santista e do
Litoral Norte paulista. Embora seja ainda apenas uma brisa perto do vento que
se espera, projetos relacionados à exploração de petróleo já começam a mover a
economia da região. Estima-se que em Santos serão 11 mil empregos diretos e
indiretos até 2014. Com esse incremento, o número de vagas nos outros setores
da economia deve crescer 30%, com efeitos também no Guarujá e na Praia Grande.
O aquecimento da economia já
chegou ao mercado imobiliário. O preço do metro quadrado construído hoje em
Santos mais que dobrou. Em São Sebastião, no Litoral Norte, o número de
registro de empresas passou de 250 em 2008 para 302 nos primeiros oito meses de
2012. Em Caraguatatuba, a prefeitura está direcionando 50% de suas receitas à
saúde, educação e infraestrutura. A preocupação dos municípios é evitar que o
dinheiro do pré-sal, ainda a caminho, provoque os mesmos desequilíbrios e
deterioração verificados em cidades do litoral fluminense.
"A economia da região
vem crescendo e o desemprego caindo. O nosso orçamento é o indicador dessa
economia. Este ano deverá fechar em R$ 1,4 bilhão e no próximo ano a estimativa
é atingir R$ 1,8 bilhão", afirma Marcio Antonio Rodrigues de Lara,
secretário de Desenvolvimento e Assuntos Estratégicos da Prefeitura Municipal
de Santos.
Boa parte dos investimentos
será aplicada na área social. Pelas contas da prefeitura, serão destinados R$
596,5 milhões para a área de saúde, educação e assistência social, além de R$
144,690 do programa Santos Novos Tempos.
Outro destaque é o Orçamento
Criança e Adolescente (OCA), estimado através de ações promovidas pelas
secretarias. De acordo com o governo municipal, "a soma do que cada pasta
destina para atender esse segmento chegará a R$ 336,769 milhões". Já está
sendo feita a ampliação da rede de saneamento básico nas oito cidades que
compõem a Baixa Santista e iniciadas as obras de modernização do Porto de
Santos. Com aproximadamente 13 quilômetros de cais e quase 500 mil metros
quadrados de armazéns, o Porto de Santos é o maior e mais importante complexo
portuário da América do Sul.
Embalada por uma economia
pujante, a cidade assiste a um boom imobiliário. Estudo feito pelo Secovi-SP -
maior sindicato do mercado imobiliário da América Latina -, em parceria com
Robert Michel Zarif Assessoria Econômica Ltda, aponta que a expectativa para o
segmento da região é de crescimento de mais de 200 mil unidades habitacionais
para esta década. "Considerando-se todo o período de estudo, de março de
2009 a março de 2012, o total de imóveis verticais lançados nos municípios,
acrescido dos empreendimentos remanescentes, é de 14.270 unidades", revela
o levantamento.
"A cidade com o maior
número de lançamentos verticais foi Santos, com 7.707 unidades (54%)",
demonstra o estudo. "Essa grande movimentação começou entre 2006 e 2007 e
o metro quadrado construído saltou de R$ 3,2 mil para R$ 6,5 mil", afirma
José Augusto Viana Neto, presidente do Conselho Regional dos Corretores de
Imóveis de São Paulo (Crecisp).
Em São Sebastião, no Litoral
Norte, o secretário-adjunto de Governo da Prefeitura Municipal, Igor Veltman,
acha prematuro fazer projeções específicas de investimentos relacionados ao
setor de petróleo e gás. "Podemos apontar, entretanto, que o número de
empresas - abrangendo todos os setores - abertas em São Sebastião nos últimos
anos, tem subido.
Em 2008 foram 250 novos
registros, passando para 280 no ano seguinte. Em 2010, ligeira queda, para 188.
No ano passado somaram 419 e neste ano já foram 302 novas empresas
abertas", diz Veltman.
A arrecadação de Imposto
sobre Serviços de Qualquer Natureza também apresenta curva ascendente, ou seja,
alta de 28,2% no primeiro semestre de 2012, comparado a igual período do ano
anterior. "Há sinais de movimentação na cidade, no turismo de negócios, no
setor de serviços, no mercado imobiliário", resume.
A receita em Caraguatatuba
também está em alta desde 2008. "Saiu de R$ 216,5 milhões naquele ano e
fecha em R$ 378,1 milhões neste ano", acrescenta Roberto Annunciato,
secretário de Planejamento, Economia e Gestão de Caraguatatuba. A implantação
da Usina de Tratamento de Gás Monteiro Lobato no município tirou a cidade de um
perfil exclusivo de veraneio para uma posição de atividade industrial, de
turismo e serviços.
Fonte: Valor Econômico /
Rosangela Capozoli
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