SÃO
PAULO, 20 Set (Reuters) - Representantes do mercado imobiliário alertaram nesta
quinta-feira para a necessidade de se desenvolver novas fontes de financiamento
ao setor, em meio à crescente demanda por imóveis residenciais, apoiada em
fatores como desemprego na mínima histórica, déficit habitacional elevado e
aumento de renda.
"Temos
desafios pela frente, o mais importante deles é como assegurar recursos de
forma mais inteligente conforme o mercado vem demandando", disse o
vice-presidente de governo da Caixa Econômica Federal, José Urbano Duarte, em
seminário promovido pela associação que representa o crédito imobiliário no
país, Abecip.
Ele
assinalou, entretanto, que a caderneta de poupança deve se manter como a
principal fonte de financiamento à compra de imóveis, se distanciando dos
temores de que seus recursos se esgotariam no curto prazo.
"Independentemente
do uso de novas alternativas, a poupança não se extingue como 'funding'",
afirmou Duarte. "Pode ficar mais cara para ser contratada como operação,
mas continuará sendo uma forma de investimento importante e que vem se
desenvolvendo."
O
presidente da empresa de securitização de recebíveis imobiliários Cibrasec,
Onivaldo Scalco, ponderou que "embora a poupança seja perene, não vá se
esgotar, se imaginarmos que o ritmo de contratações se mantenha como o atual,
esse funding não será suficiente".
Além de
garantir mais recursos à indústria, a criação de novas fontes de financiamento
se mostra necessária para diversificar as opções de investimentos.
Dentre as
alternativas, os fundos imobiliários, embora ainda recentes, são apontados como
um dos instrumentos com maior potencial de crescimento.
"O
fundo é o veículo de investimento mais adequado para participar da indústria
imobiliária", disse o sócio e gestor de fundos de incorporação imobiliária
da Kinea, Carlos Martins. "É possível carregar ativos, desenvolver
projetos... Além da vantagem fiscal, do ponto de vista da pessoa física, de isenção
de Imposto de Renda."
Além dos
fundos, os profissionais destacaram como duas frentes para complementar os
recursos de crédito habitacional a securitização de recebíveis e os
"covered bonds", tradicionalmente usados na Europa, que funcionam
como uma espécie de Letra de Crédito Imobiliário emitida por bancos.
(Por
Vivian Pereira)
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