As rendas do mercado imobiliário
nos sectores de escritórios, indústria e comércio de rua baixaram no primeiro
semestre do ano em Lisboa. O sector imobiliário está em crise, em grande parte
graças à dificuldade de sobrevivência do pequeno comércio e à grande quebra no
consumo interno.
A actual
conjuntura do país levou a que os proprietários de imóveis fossem mais
permeáveis à redução dos valores ou a descontos no arrendamento. De acordo com
um estudo da consultora imobiliária Aguirre Newman, acerca dos imóveis
existentes no concelho de Lisboa para escritórios, comércio e indústria, a
criação de novos espaços tem vindo a diminuir em termos gerais, empurrada pela
também decrescente procura.
Nos escritórios, as rendas sofreram na globalidade um decréscimo, justificado “pela actual conjuntura através de uma maior pressão por parte dos inquilinos na renegociação das rendas”, justifica a consultora. Ao PÚBLICO, Paulo Silva, director geral da Aguirre Newman, afirmou que cerca de 12,5% dos escritórios em Lisboa estão disponíveis, um valor muito alto e anormal no sector.
Na primeira metade do ano não se registou a abertura de nenhum novo espaço de escritórios, porém prevê-se mais 29.300 metros quadrados para o segundo semestre do ano e 81.171 para o biénio 2013 e 2014. Segundo Paulo Silva, grande parte dos novos escritórios a abrir já terão arrendatário definido. O problema a enfrentar serão os espaços que ficarão livres, após as empresas, que se irão transferir para os novos espaços, os abandonarem. A reabilitação desses mesmos espaços terá de ser uma prioridade para os proprietários.
“A oferta não irá ser significativa nos próximos anos”, afirma Paulo Silva, graças à situação do mercado e à dificuldade em obter financiamento. Por outro lado, a procura aumentou face a 2011, com 36.030 metros quadrados de área contratada no primeiro semestre, o que equivale a um aumento de cerca de 17% face a igual período de 2011.
O comércio de rua fora das zonas prime (definidas como Avenida da Liberdade e Baixa-Chiado) registou um aumento de espaços de comércio disponíveis. Nas zonas prime, o comércio de rua apresentou valores disponíveis inferiores a 5%, tal como em 2011, “o que traduz uma procura elevada e/ou uma oferta escassa de espaços qualificados”, aponta o relatório divulgado. Com a excepção dass zonas prime, a procura por espaços de comércio de rua voltou a diminuir no primeiro semestre do ano, quando comparada com os anos anteriores, o que resulta numa diminuição da oferta deste comércio e a um abandono destes espaços. A renda praticada na transacção destes espaços diminuiu, o que reflecte, segundo a consultora, uma maior flexibilidade dos proprietários.
Para Paulo Silva, “o enquadramento não augura nada de bom”, porém “as dificuldades podem criar oportunidades”, defende. Segundo o director geral da consultora, a quebra nos preços de arrendamento fora das zonas prime deve ser encarada como um incentivo à mudança dos comerciantes, levando-os a apostar noutras zonas, utilizando a negociação das rendas como ferramenta. Criar novos centros de comércio é uma possibilidade que deve ser agarrada. Como exemplo, Paulo Silva refere a “degradação do comércio de proximidade, que tem de ser revitalizado”.
No mesmo sentido, o mercado dos centros comerciais estagnou na primeira metade do ano, no que toca à oferta, não se tendo registado a abertura de qualquer espaço. Do lado da procura, este mercado abrandou ligeiramente no primeiro semestre.
No investimento total, o primeiro semestre deste ano registou uma redução de cerca de 52%, com o valor a passar de 160 milhões de euros na primeira metade de 2011, para 77 milhões de euros no mesmo período de 2012. Na análise sectorial do investimento, o sector dos escritórios destaca-se com uma quota de 65% do investimento total realizado no primeiro semestre do ano. Paulo Silva afirma que o sector de escritórios está melhor, mas só “em termos relativos”, já que, tal como foi referido anteriormente, este sector encontra-se em dificuldades.
De acordo com o director geral na Aguirre Newman, a ausência de novos projectos nos sectores da indústria e dos centros comerciais derivam, essencialmente, da “falta de investimento estrangeiro”. Noutra perspectiva, Paulo Silva refere também que existem “demasiadas unidades de distribuição para aquilo que o consumo local poderá absorver”, sendo estas, em parte, responsáveis pela crise no comércio de proximidade.
Quando questionado pela melhor solução para os problemas deste sector, Paulo Silva afirma “crescimento económico e confiança”. Crescimento económico do próprio país e confiança do investimento estrangeiro em Portugal. “Apontar é fácil, concretizar é que é mais difícil”, conclui.
Nos escritórios, as rendas sofreram na globalidade um decréscimo, justificado “pela actual conjuntura através de uma maior pressão por parte dos inquilinos na renegociação das rendas”, justifica a consultora. Ao PÚBLICO, Paulo Silva, director geral da Aguirre Newman, afirmou que cerca de 12,5% dos escritórios em Lisboa estão disponíveis, um valor muito alto e anormal no sector.
Na primeira metade do ano não se registou a abertura de nenhum novo espaço de escritórios, porém prevê-se mais 29.300 metros quadrados para o segundo semestre do ano e 81.171 para o biénio 2013 e 2014. Segundo Paulo Silva, grande parte dos novos escritórios a abrir já terão arrendatário definido. O problema a enfrentar serão os espaços que ficarão livres, após as empresas, que se irão transferir para os novos espaços, os abandonarem. A reabilitação desses mesmos espaços terá de ser uma prioridade para os proprietários.
“A oferta não irá ser significativa nos próximos anos”, afirma Paulo Silva, graças à situação do mercado e à dificuldade em obter financiamento. Por outro lado, a procura aumentou face a 2011, com 36.030 metros quadrados de área contratada no primeiro semestre, o que equivale a um aumento de cerca de 17% face a igual período de 2011.
O comércio de rua fora das zonas prime (definidas como Avenida da Liberdade e Baixa-Chiado) registou um aumento de espaços de comércio disponíveis. Nas zonas prime, o comércio de rua apresentou valores disponíveis inferiores a 5%, tal como em 2011, “o que traduz uma procura elevada e/ou uma oferta escassa de espaços qualificados”, aponta o relatório divulgado. Com a excepção dass zonas prime, a procura por espaços de comércio de rua voltou a diminuir no primeiro semestre do ano, quando comparada com os anos anteriores, o que resulta numa diminuição da oferta deste comércio e a um abandono destes espaços. A renda praticada na transacção destes espaços diminuiu, o que reflecte, segundo a consultora, uma maior flexibilidade dos proprietários.
Para Paulo Silva, “o enquadramento não augura nada de bom”, porém “as dificuldades podem criar oportunidades”, defende. Segundo o director geral da consultora, a quebra nos preços de arrendamento fora das zonas prime deve ser encarada como um incentivo à mudança dos comerciantes, levando-os a apostar noutras zonas, utilizando a negociação das rendas como ferramenta. Criar novos centros de comércio é uma possibilidade que deve ser agarrada. Como exemplo, Paulo Silva refere a “degradação do comércio de proximidade, que tem de ser revitalizado”.
No mesmo sentido, o mercado dos centros comerciais estagnou na primeira metade do ano, no que toca à oferta, não se tendo registado a abertura de qualquer espaço. Do lado da procura, este mercado abrandou ligeiramente no primeiro semestre.
No investimento total, o primeiro semestre deste ano registou uma redução de cerca de 52%, com o valor a passar de 160 milhões de euros na primeira metade de 2011, para 77 milhões de euros no mesmo período de 2012. Na análise sectorial do investimento, o sector dos escritórios destaca-se com uma quota de 65% do investimento total realizado no primeiro semestre do ano. Paulo Silva afirma que o sector de escritórios está melhor, mas só “em termos relativos”, já que, tal como foi referido anteriormente, este sector encontra-se em dificuldades.
De acordo com o director geral na Aguirre Newman, a ausência de novos projectos nos sectores da indústria e dos centros comerciais derivam, essencialmente, da “falta de investimento estrangeiro”. Noutra perspectiva, Paulo Silva refere também que existem “demasiadas unidades de distribuição para aquilo que o consumo local poderá absorver”, sendo estas, em parte, responsáveis pela crise no comércio de proximidade.
Quando questionado pela melhor solução para os problemas deste sector, Paulo Silva afirma “crescimento económico e confiança”. Crescimento económico do próprio país e confiança do investimento estrangeiro em Portugal. “Apontar é fácil, concretizar é que é mais difícil”, conclui.
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