Políticas fiscal e monetária estão contribuindo para a alta dos preços. Para pesquisador do IPEA, o problema é do Governo.
SÃO PAULO - Apesar de muita gente
acreditar que o Brasil está livre do risco de ter uma bolha no setor
imobiliário, há também muita gente que não duvida da existência deste risco,
inclusive existem indícios científicos em relação aos rumos do País para a formação
deste fenômeno, que com a excessiva oferta de crédito, acaba permitindo ao
indivíduo comprar mais do que realmente pode.
O professor e pesquisador do Ipea
(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Adolfo Sachsida, diz que as pessoas
pensam que o País está livre do risco de bolha porque nos Estados Unidos, onde
a bolha explodiu, o volume de empréstimos destinados ao setor imobiliário
correspondia a mais de 50% do PIB, enquanto que no Brasil chega a 5%, 6%. “O
fato de estes números serem menores aqui significa que os estragos de uma
futura bolha serão menores, mas não exclui a possibilidade de ocorrer este
fenômeno no atual cenário que o Brasil está”, diz o economista, que junto ao
pesquisador Mário Mendonça, publicou umestudo para o Ipea apontando a possibilidade
concreta da existência de uma bolha no mercado de imóveis do Brasil.
Nos últimos três anos, o preço médio
dos imóveis em algumas metrópoles brasileiras subiu em média 150%. O valor alto
assusta, mas quando vemos na prática, nos apavoramos mais ainda com a evolução
insustentável do setor de imóveis no Brasil, que com o crescimento acelerado da
oferta de crédito infla a bolha de preços imobiliários.
“Estamos próximos de uma catástrofe
imobiliária”, alerta o professor Adolfo Sachsida, que explica que os estímulos
à economia pelo Governo estão sendo aplicados de maneira errônea pelas
políticas fiscal e monetária e estão levando ao mau crescimento do setor, com a
alta desenfreada dos preços nas metrópoles pesquisadas: São Paulo, Rio,
Salvador, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Brasília.
Quanto à Política Fiscal, Sachsida
afirma que o Governo deveria gastar menos e reduzir os impostos, pois assim o
brasileiro teria mais dinheiro no bolso para comprar imóvel e não precisaria
tomar tanto crédito para financiamentos. “Quando o Governo joga um rio de
crédito, a demanda vai para cima e como a oferta de imóveis não a acompanha, o
resultado é a elevação dos preços”, diz ele, afirmando que as construtoras não
são culpadas, já que estão respondendo aos estímulos das atitudes do Governo no
mercado.
Em relação à Política Monetária, o
economista afirma que o governo tem adotado uma política extremamente
permissiva com a inflação, desprezando o combate dela para o segundo plano
Um dos indícios de bolha é a atual
situação do mercado. Sachsida afirma que se perguntarmos aos vendedores de
imóveis como está o ano, eles dizem que as vendas estão bem mais fracas. “Isso
é um sinal amarelo para o mercado”, alerta.
Soluções
“O Governo deveria parar de ser ganancioso e diminuir os impostos”, Sachsida acredita que o modelo expansionista do Governo está errado e que o natural seria que as pessoas comprassem seus imóveis sem a necessidade deste dinheiro artificial conseguido pela alta expansão do crédito nos últimos meses. Segundo ele, se os impostos baixam, o poder de compra do consumidor aumenta.
“O Governo deveria parar de ser ganancioso e diminuir os impostos”, Sachsida acredita que o modelo expansionista do Governo está errado e que o natural seria que as pessoas comprassem seus imóveis sem a necessidade deste dinheiro artificial conseguido pela alta expansão do crédito nos últimos meses. Segundo ele, se os impostos baixam, o poder de compra do consumidor aumenta.
Juros vão subir
O professor Sachsida se preocupa com o fato de o governo estar expandindo demais o crédito, sobretudo no setor imobiliário, pressionando a taxa de juros artificialmente para baixo. Conforme diz, isso dá uma falsa impressão de que temos poupança para financiarmos grandes projetos.
O professor Sachsida se preocupa com o fato de o governo estar expandindo demais o crédito, sobretudo no setor imobiliário, pressionando a taxa de juros artificialmente para baixo. Conforme diz, isso dá uma falsa impressão de que temos poupança para financiarmos grandes projetos.
Os juros nos EUA e na Europa nunca
foram tão baixos e para o economista, essa situação não vai permanecer por
muito tempo. "Quando a taxa de juros internacional subir, o Brasil será
obrigado a fazer o mesmo por aqui, colocando em situação delicada as pessoas
que pegaram empréstimos pós-fixados, que é a esmagadora maioria”, completa.
Em crítica ao Banco Central, Sachsida
fala que hoje o Regime de Metas de Inflação não é mais respeitado. “O BC deve
explicações à sociedade brasileira pelas políticas que vem adotando”, finaliza
o pesquisador.
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