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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Preço de imóvel usado baixa e venda cresce 47,61% na cidade de São Paulo


Preços menores e fim de férias fizeram o mercado de imóveis usados registrar forte recuperação das vendas em agosto na cidade de São Paulo. Em comparação com julho, o crescimento foi de 47,61% segundo pesquisa feita como 447 imobiliárias pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP).
Depois de aumentar 9,04% em junho, o preço médio do metro quadrado de imóveis usados na capital baixou 5,66% em julho e em agosto teve nova redução, de 11,33%. Nos últimos 12 meses, porém, o preço médio acumula alta de 16,03%, três vezes mais que a inflação de 5,24% medida nesse mesmo período pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE.
O mercado de locação residencial também reagiu em agosto. O número de imóveis alugados foi 32,05% maior que o de julho e o valor do aluguel médio teve alta bem mais modesta, de 0,77%, que a do mês anterior, que foi de 5,11%. Mas assim como o preço dos imóveis usados, também o valor médio do aluguel acumula alta maior - 11,73% - que a inflação de 5,24% desses últimos 12 meses
- O fim das férias sempre impõe novo ritmo aos dois mercados, de locação e de venda de imóveis usados, mas no caso das vendas houve o estímulo adicional da redução dos preços - afirma José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP.
Ele enfatiza que a recuperação havida em agosto não pode ser interpretada como tendência para os últimos meses deste ano.
- Seria ideal que o mercado de imóveis usados tivesse um comportamento mais linear, como o dos automóveis, mas ele se caracteriza pelo permanente “efeito gangorra” em que meses de alta são sucedidos por meses de baixa - explica Viana Neto.
Ele descarta o risco de supostas “bolhas especulativas” ameaçarem a estabilidade do mercado de imóveis usados, “que tem uma instabilidade natural para quem olha apenas no curto prazo”, destaca o presidente do Creci-SP.
- Se houvesse uma movimentação artificial e especulativa, o crescimento acumulado de 33,17% no volume negociado este ano teria feito com que os preços explodissem e não que se limitassem a essa alta de 16,03% em 12 meses - justifica Viana Neto.
Ainda segundo ele, “no mercado de imóveis usados o que infla os preços é o déficit crônico e estrutural, e enquanto ele existir com a dimensão mastodôntica que tem hoje, de mais de 1 milhão de moradias apenas aqui em São Paulo, os preços naturalmente tenderão a aumentar e mudar de patamar”.
Do total negociado nas 447 imobiliárias consultadas pelo Creci-SP, 60,58% foram apartamentos e 39,42% casas. A maioria das vendas - 50,63% do total - foi feita com financiamento da Caixa Econômica Federal e de bancos privados, ficando as vendas à vista com 44,4% dos negócios efetivados. O restante dividiu-se entre vendas feitas por meio de consórcios (2,07% e com financiamento direto do proprietário (2,9%).
A maioria dos imóveis usados vendidos nesse período na capital tinha preço médio superior a R$ 200 mil, com 83,4% do total negociado nas 447 imobiliárias pesquisadas pelo Creci-SP. Os descontos médios concedidos pelos proprietários sobre os preços inicialmente pedidos variaram de um mínimo de 4,2% na Zona B ao máximo de 7,38% na Zona E.
Entre os preços que mais baixaram em agosto figuram os dos apartamentos de padrão médio construídos há mais de 15 anos e situados em bairros valorizados da Zona A, Alto da Boa Vista, Alto de Pinheiros, Brooklin Velho. O preço médio do metro quadrado baixou 28,19%, de R$ 6.724,82 em julho para R$ 4.829,41. Casas de padrão médio tiveram redução menor - as construídas há mais de 15 anos e situadas em bairros da Zona C, como Jardim Umuarama, Lapa, Mandaqui, ficaram 7,67% mais baratas com o preço do metro quadrado baixando de R$ 3.931,10 em julho para R$ 3.629,63 em agosto.
No mercado de locação, a pesquisa Creci-SP apurou que do total alugado em agosto na capital 53,87% foram apartamentos e 46,13% foram casas. Inquilinos com contratos que estavam em vigor devolveram a essas mesmas imobiliárias o equivalente a 60,31% das novas locações. Este número foi 3,55% maior que o de julho.
A maioria dos imóveis alugados em agosto situou-se na faixa de até R$ 1.200,00 mensais, com 60,09% do total de contratos. O aluguel que mais aumentou foi o de apartamentos de três dormitórios situados em bairros da Zona C, como Mirandópolis, Mooca e Santa Cecília. O aluguel médio passou de R$ 2.502,44 em Julho para R$ 4.486,39 em Agosto, uma alta de 79,28% O aluguel que mais baixou foi o de casas de dois dormitórios situadas em bairros da Zona B, como Chácara Flora e Alta da Lapa. A queda foi de 34,92%, com o aluguel baixando de R$ 1.728,57 em Julho para R$ 1.125,00 em Agosto.
A maioria dos contratos teve o fiador (42,99%) como garantidor das locações em casos de inadimplência, seguido pelo depósito de três meses do aluguel (30,64%), pelo seguro de fiança (24,98%) e pela caução de imóveis (0,7%) e locação sem garantia (0,7%).
Os proprietários concederam descontos sobre os valores iniciais dos aluguéis que variaram de 8,79% na Zona A a 14,95% na Zona E, segundo a pesquisa Creci-SP.
Estavam inadimplentes em agosto nas 447 imobiliárias pesquisadas 4,1% dos inquilinos, número 18,5% maior que os 3,46% que havia ficado inadimplentes em julho.
As ações judiciais propostas nos Fóruns da capital em agosto aumentaram praticamente tanto quanto em julho: alta de 13,66% e de 13,61%, respectivamente. Novamente as ações renovatórias tiveram crescimento maior que as demais (+ 50%), seguidas pelas ações de rito sumário (+ 16,95%), consignatórias (16,67%), de rito ordinário (+ 7,44%) e por falta de pagamento (+ 2,47%).

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